Periodontia & Preservação Dental5 min
Retração gengival pode causar a perda dos dentes?
Retração gengival pode causar perda dos dentes? Entenda a diferença entre recessão e periodontite e quando dentes comprometidos podem ser preservados.
Dr. Vitor Freitas
Mestre & Doutorando em Periodontia pela USP · CRO-SP 149314

A retração gengival, por si só, não significa que um dente será perdido. Entretanto, quando está associada à periodontite e à destruição dos tecidos de sustentação, o risco de perda dentária pode ser maior.
A gengiva retraída é uma condição frequente, caracterizada pela exposição de parte da raiz do dente. Embora muitas vezes seja percebida como um problema estético, sua presença exige uma avaliação cuidadosa para identificar se existe comprometimento do suporte periodontal.
Compreender a diferença entre uma retração gengival isolada e a perda de suporte causada pela periodontite é fundamental para definir o diagnóstico e as possibilidades reais de tratamento.
Retração gengival e periodontite são a mesma coisa?
Não. Apesar de ambas afetarem os tecidos ao redor dos dentes, são condições distintas:
- A retração gengival ocorre quando a margem da gengiva se desloca em direção apical, deixando parte da raiz exposta. Pode estar relacionada a características anatômicas, espessura gengival reduzida (biótipo periodontal fino), posicionamento dentário e outros fatores mecânicos locais. Nesses casos, é comum encontrar dentes com recessões gengivais acentuadas, mas sem perda de suporte periodontal nas regiões entre os dentes (espaço interdental).
- A periodontite, por outro lado, é uma doença infecciosa e inflamatória associada ao biofilme bacteriano, que provoca destruição progressiva dos tecidos responsáveis pela sustentação dentária, incluindo o ligamento periodontal e o osso alveolar. Quando não tratada, a periodontite causa mobilidade dentária e, em situações avançadas, leva à perda dos dentes.
As duas condições também podem ocorrer simultaneamente no mesmo paciente, tornando o diagnóstico diferencial e o planejamento terapêutico ainda mais minuciosos.
Uma retração gengival profunda significa que o dente está condenado?
Não necessariamente.
A profundidade da retração não é suficiente, isoladamente, para determinar se um dente precisa ser extraído.
Em muitos pacientes, a gengiva pode estar consideravelmente retraída em uma das faces do dente (frequentemente na face vestibular), enquanto uma quantidade substancial de osso e ligamento permanece preservada nas demais faces e entre os dentes.
Em contrapartida, recessões clinicamente discretas podem estar associadas à perda óssea horizontal e vertical generalizada por periodontite.
Por esse motivo, o prognóstico não depende apenas do comprimento de raiz visível, mas de uma avaliação periodontal completa que avalie:
- O nível de inserção periodontal clínico.
- O suporte ósseo radiográfico remanescente.
- O grau de mobilidade dentária.
- A presença ou ausência de sangramento à sondagem e supuração ativa.
A retração gengival pode piorar com o tempo?
Sim. Estudos científicos longitudinais comprovam que recessões gengivais não tratadas tendem a progredir ao longo dos anos.
Uma revisão sistemática conduzida por Chambrone e Tatakis demonstrou progressão em uma parcela expressiva das recessões acompanhadas a longo prazo, mesmo em indivíduos com hábitos adequados de higiene bucal.
Da mesma forma, um estudo de coorte realizado no Brasil por Rios e colaboradores documentou a ocorrência de novas recessões e a ampliação de recessões preexistentes ao longo de quatro anos de acompanhamento.
Entretanto, a progressão da retração não equivale a uma condenação do dente. O acompanhamento periódico especializado permite intervir no momento oportuno para estabilizar a gengiva e proteger a integridade radicular.
É possível preservar dentes com retrações gengivais muito profundas?
Em determinados casos, sim.
A evolução das técnicas de cirurgia plástica periodontal e microcirurgia ampliou consideravelmente as possibilidades de preservação dental, mesmo em cenários clínicos altamente desafiadores.
Procedimentos de recobrimento radicular com enxerto de tecido conjuntivo autógeno melhoram o fenótipo tecidual, aumentam a espessura da mucosa ceratinizada e recobrem a superfície das raízes.
Em situações extremas, abordagens multidisciplinares integrando Periodontia, Endodontia e Cirurgia Parendodôntica viabilizam a manutenção do elemento dental na arcada.
Um estudo científico publicado em 2025, intitulado Root coverage in deep recessions with apex involvement: Long-term case study, avaliou sete casos clínicos de recessões gengivais severas que atingiam até o ápice da raiz.
Os dentes foram tratados por meio de protocolos combinando tratamento de canal, cirurgia de recobrimento radicular, enxerto conjuntivo e apicectomia. Após um acompanhamento médio de aproximadamente quatro anos, 100% dos dentes tratados foram preservados e mantidos em função clínica saudável, revertendo o prognóstico inicialmente desfavorável.
Rigor Científico na Prática: O cirurgião-dentista Dr. Vitor Mota Freitas, da ONE Dental Studio, é coautor dessa publicação científica desenvolvida na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP). Sua experiência clínica e acadêmica é dedicada ao manejo de recessões complexas e à máxima preservação dos dentes naturais.
Quando o enxerto gengival pode ajudar?
O enxerto gengival é indicado para reforçar a espessura dos tecidos biológicos, criar uma barreira resistente contra novos desgastes e, em situações favoráveis, recobrir a raiz exposta.
As técnicas mais empregadas incluem o retalho deslocado coronalmente e as abordagens por tunelização (sem incisões verticais), combinadas com tecido conjuntivo subepitelial retirado do palato do próprio paciente.
Contudo, é fundamental pontuar: o enxerto gengival não cura a periodontite e não repõe o osso interproximal reabsorvido pela infecção periodontal. Caso haja doença periodontal ativa, o primeiro passo indispensável é o controle minucioso da infecção bacteriana e a eliminação das bolsas periodontais.
Como saber se um dente com gengiva retraída pode ser preservado?
Apenas um exame periodontal especializado é capaz de determinar com precisão a viabilidade biológica de cada dente.
Na consulta de avaliação, investigamos:
- Medição milimétrica das recessões e bolsas com sonda periodontal suave.
- Níveis de inserção clínica em todas as faces dos dentes.
- Testes de vitalidade pulpar e avaliação radiográfica digital dos níveis ósseos.
- Análise da oclusão, forças mastigatórias e presença de hábitos parafuncionais (bruxismo).
Embora em estágios terminais a extração e reabilitação com implantes possam ser necessárias, a decisão deve sempre priorizar a avaliação detalhada das possibilidades reais de salvaguardar o dente natural.
Perguntas frequentes
Gengiva retraída pode fazer o dente cair?
A retração isolada raramente causa a perda dentária. O risco real de mobilidade e perda surge quando a retração está combinada à periodontite avançada, em que ocorre destruição profunda do osso de suporte.
Um dente com muita raiz exposta pode ser salvo?
Sim, em diversas situações selecionadas. A altura aparente da raiz exposta não é, isoladamente, uma sentença definitiva. A preservação depende da saúde do suporte ósseo residual e de técnicas cirúrgicas adequadas.
Todo dente com retração gengival precisa de cirurgia?
Não. Muitas retrações estáveis, sem queixa de sensibilidade ou risco imediato de progressão, necessitam apenas de monitoramento e ajuste nos hábitos de higiene com escovas de cerdas ultramacias.
O enxerto gengival evita a perda dos dentes?
O enxerto fortalece o biótipo gengival e protege as raízes contra lesões mecânicas e cáries radiculares. Porém, a manutenção a longo prazo exige controle rigoroso do biofilme e acompanhamento profissional periódico.
Preservação dentária e tratamento periodontal em São Paulo
Na ONE Dental Studio, situada na Vila Clementino, em São Paulo, o diagnóstico periodontal é fundamentado em evidências científicas de ponta e tecnologia digital, com foco irrestrito na preservação da dentição natural.
Os tratamentos são conduzidos pelo cirurgião-dentista Dr. Vitor Mota Freitas, mestre em Ciências Odontológicas com concentração em Periodontia pela FO-USP e pesquisador doutorando na mesma instituição, referência em cirurgias plásticas periodontais e regeneração de tecidos.
Se você apresenta recessão gengival, sensibilidade persistente, mobilidade ou recebeu indicação prévia de extração, agende uma avaliação na ONE Dental Studio para obter uma segunda opinião especializada baseada na melhor ciência disponível.
Referências científicas
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Cortellini P, Bissada NF. Mucogingival conditions in the natural dentition: Narrative review, case definitions, and diagnostic considerations. Journal of Periodontology. 2018;89(Suppl 1):S204-S213. DOI: 10.1002/JPER.16-0671
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Chambrone L, Tatakis DN. Long-Term Outcomes of Untreated Buccal Gingival Recessions: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Periodontology. 2016;87(7):796–808. DOI: 10.1902/jop.2016.150625
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Rios FS, et al. Incidence and progression of gingival recession over 4 years: A population-based longitudinal study. Journal of Clinical Periodontology. 2021;48(1):115–126. DOI: 10.1111/jcpe.13383
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Cairo F, et al. Clinician- and patient-reported outcomes following the surgical treatment of single gingival recession defects: A systematic review. Periodontology 2000. 2025;97(1):127-149. DOI: 10.1111/prd.12641
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César Neto JB, Lazarin R, Freitas VM, et al. Root coverage in deep recessions with apex involvement: Long-term case study. Clinical Advances in Periodontics. 2025. DOI: 10.1002/cap.10345


