Periodontia & Prevenção6 min
Doença periodontal: o que é, quais os sintomas e como tratar?
Entenda o que é doença periodontal, os sintomas da periodontite, como ocorre a perda óssea e quais tratamentos ajudam a preservar os dentes.
Dr. Vitor Freitas
Mestre & Doutorando em Periodontia pela USP · CRO-SP 149314

A doença periodontal é uma condição inflamatória que afeta os tecidos ao redor dos dentes, especialmente a gengiva e as estruturas responsáveis por sua sustentação. Suas principais manifestações clínicas são a gengivite e a periodontite.
Enquanto a gengivite provoca inflamação restrita à margem gengival sem perda do suporte ósseo, a periodontite pode causar destruição progressiva do osso alveolar e dos ligamentos que mantêm os dentes firmes.
Quando não tratada, a periodontite progride e pode levar à mobilidade e à perda dentária. Entretanto, o diagnóstico precoce e o tratamento especializado permitem controlar a infecção e preservar os dentes naturais na grande maioria dos casos.
Qual é a diferença entre gengivite e periodontite?
A gengivite é uma inflamação da gengiva associada primariamente ao acúmulo de biofilme bacteriano (placa bacteriana). Seus principais sinais são sangramento gengival durante a escovação, vermelhidão e inchaço tecidual. Quando tratada com higiene adequada e profilaxia profissional, a gengivite é completamente reversível.
A periodontite é uma doença inflamatória crônica multifatorial associada ao biofilme bacteriano subgengival e à resposta inflamatória do hospedeiro. Caracteriza-se pela perda progressiva dos tecidos de sustentação dos dentes, incluindo o osso alveolar, o ligamento periodontal e o cemento radicular.
Essa destruição tecidual aprofunda o espaço entre o dente e a gengiva, originando as chamadas bolsas periodontais, que favorecem o acúmulo de bactérias patogênicas, a mobilidade dos dentes e comprometem a permanência deles na arcada dentária.
Quais são os sintomas da periodontite?
A periodontite se desenvolve frequentemente de maneira silenciosa, principalmente nos estágios iniciais e moderados.
Entre os sinais mais frequentes estão:
- Sangramento gengival espontâneo ou durante a escovação e o uso do fio dental.
- Gengiva avermelhada, arroxeada ou edemaciada (inchada).
- Mau hálito persistente (halitose) e sensação de gosto amargo na boca.
- Retração gengival com exposição das raízes dos dentes.
- Sensação de dentes mais longos ou surgimento de espaços triangulares escuros entre eles (black spaces).
- Mobilidade dentária ou sensação de dente frouxo ao mastigar em casos avançados.
- Mudança na posição dos dentes na mordida.
Importante: A ausência de dor não significa que a gengiva e o osso estejam saudáveis. A vasta maioria dos pacientes com perda óssea periodontal significativa não relata dor até que ocorra um abscesso agudo ou mobilidade extrema.
O que causa a doença periodontal?
O principal fator etiológico responsável pelo surgimento da periodontite é o acúmulo continuado de biofilme bacteriano sobre as coroas e raízes dos dentes, especialmente abaixo da margem gengival.
Entretanto, a velocidade de progressão e a gravidade da doença variam consideravelmente entre os indivíduos devido à interação com o sistema imunológico e fatores de risco de cada organismo:
- Tabagismo: um dos fatores de maior impacto destrutivo, que reduz as defesas locais, diminui o sangramento visível (devido à vasoconstrição periférica) e acelera a reabsorção óssea.
- Diabetes mellitus descompensado: intensifica a resposta inflamatória tecidual e prejudica os mecanismos biológicos de cicatrização.
- Suscetibilidade genética e imunológica: variações na resposta inflamatória inata e adaptativa de cada hospedeiro.
- Estresse crônico: afeta o sistema imunológico e a regulação de citocinas inflamatórias.
O clássico estudo longitudinal de Löe e colaboradores (1986) comprovou que pessoas expostas aos mesmos níveis de biofilme bacteriano apresentavam trajetórias completamente diferentes de perda periodontal ao longo dos anos — variando desde rápida destruição até ausência de perda de inserção —, demonstrando que a resposta individual do paciente é um fator determinante.
Como é feito o diagnóstico da periodontite?
O diagnóstico fundamenta-se em uma avaliação clínica periodontal especializada e minuciosa:
- Sondagem periodontal milimétrica: com uma sonda delicada, o periodontista mensura a profundidade das bolsas periodontais, a perda de inserção clínica e o sangramento à sondagem em todos os dentes.
- Exames radiográficos periapicais: mapeiam a altura, a extensão e a conformação anatômica da perda óssea alveolar.
- Classificação EFP/AAP: a periodontite é categorizada em Estágios (I a IV, avaliando a gravidade e a complexidade cirúrgica) e Graus (A, B ou C, indicando o risco e a taxa estimada de progressão biológica).
Periodontite tem tratamento?
Sim. A periodontite pode ser tratada e estabilizada, permitindo que muitos pacientes mantenham seus dentes naturais saudáveis e funcionais por toda a vida.
O tratamento segue as diretrizes clínicas de nível S3 da Federação Europeia de Periodontia (EFP), dividindo-se em etapas progressivas:
1. Controle da inflamação e dos fatores de risco
Adequação individualizada das técnicas de higiene bucal domiciliar, instrução de escovação e uso de escovas interdentais, acompanhada do controle de hábitos (como a cessação do tabagismo) e compensação metabólica de doenças sistêmicas.
2. Terapia periodontal não cirúrgica (Raspagem e alisamento radicular)
Remoção profissional detalhada do biofilme e dos cálculos bacterianos subgengivais com instrumentos ultrassônicos piezoelétricos de última geração e curetas periodontais específicas, descontaminando a superfície das raízes e reduzindo a inflamação biológica.
3. Tratamento cirúrgico periodontal e regenerativo
Em regiões nas quais persistem bolsas profundas (geralmente ≥ 6 mm) ou defeitos ósseos complexos após a etapa não cirúrgica, intervenções cirúrgicas a retalho permitem o acesso visual direto para descontaminação radicular completa. Em casos selecionados, técnicas de regeneração tecidual guiada com enxertos ósseos e biomateriais estimulam a reconstrução de parte do aparato periodontal perdido.
4. Terapia Periodontal de Suporte (Manutenção preventiva)
Após o controle da infecção, o paciente ingressa em um programa de manutenção periódica contínua. Essas sessões são vitais para verificar a estabilidade dos tecidos e interceptar qualquer sinal precoce de recidiva.
A perda óssea causada pela periodontite pode ser recuperada?
A perda óssea horizontal generalizada geralmente não é reversível cirurgicamente.
Contudo, determinados defeitos ósseos verticais ou angulares contidos apresentam condições anatômicas favoráveis para cirurgias reconstrutivas e regenerativas, utilizando membranas de colágeno e proteínas derivadas da matriz do esmalte.
A previsibilidade desse procedimento depende da conformação do defeito, das características teciduais e do controle estrito da higiene por parte do paciente.
Periodontite tem cura definitiva?
A periodontite é uma condição inflamatória crônica que pode ser estabilizada com excelência, mas que exige acompanhamento permanente.
Embora seja perfeitamente possível eliminar a inflamação, extinguir as bolsas e paralisar a perda óssea, o paciente que teve periodontite mantém uma suscetibilidade biológica inerente ao longo da vida. Por isso, a manutenção profissional preventiva é o pilar que garante a longevidade do sorriso.
Perguntas frequentes sobre doença periodontal
Gengiva sangrando é sinal de periodontite?
Pode ser um sinal de alerta precoce. No entanto, o sangramento também ocorre na gengivite, que não envolve perda de osso. O diagnóstico diferencial por meio de sondagem periodontal é essencial para determinar a real condição.
A periodontite pode fazer os dentes caírem?
Sim. Quando não diagnosticada e tratada a tempo, a destruição contínua do osso de suporte compromete a ancoragem radicular, gerando mobilidade acentuada e perda dos dentes.
Todo paciente com periodontite precisa de cirurgia?
Não. A maior parte dos casos é solucionada com a terapia periodontal não cirúrgica (raspagem especializada) e orientação de higiene bucal. O procedimento cirúrgico é reservado apenas para áreas residuais com bolsas profundas persistentes.
Antibióticos são necessários para tratar periodontite?
Não de forma rotineira. O tratamento padrão ouro baseia-se no desbridamento mecânico e na desestruturação física do biofilme bacteriano. O uso de antibióticos sistêmicos é restrito a casos selecionados e clinicamente justificados de alta agressividade.
De quanto em quanto tempo devo fazer manutenção periodontal?
A periodicidade é definida de acordo com o perfil de risco individual. As diretrizes europeias da EFP recomendam intervalos entre 3 e 12 meses, sendo as revisões a cada 3 ou 4 meses as mais frequentes para assegurar a estabilidade nos casos tratados.
Tratamento periodontal em São Paulo
A ONE Dental Studio, situada na Vila Clementino, em São Paulo, realiza diagnósticos aprofundados e tratamentos especializados para todas as fases da doença periodontal, perda óssea e alterações gengivais.
Nossa conduta prioriza diagnósticos digitais detalhados, tratamentos minimamente invasivos fundamentados em diretrizes internacionais e a máxima preservação dos dentes naturais.
O atendimento na área de Periodontia é conduzido pelo cirurgião-dentista Dr. Vitor Mota Freitas, mestre em Ciências Odontológicas com concentração em Periodontia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FO-USP) e pesquisador doutorando na mesma instituição.
Se você apresenta sangramento gengival, mobilidade nos dentes, retração ou recebeu diagnóstico prévio de perda óssea, agende uma avaliação na ONE Dental Studio para obter um plano de cuidado individualizado e cientificamente embasado.
Referências científicas
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Löe H, Anerud A, Boysen H, Morrison E. Natural history of periodontal disease in man: Rapid, moderate and no loss of attachment in Sri Lankan laborers 14 to 46 years of age. Journal of Clinical Periodontology. 1986;13(5):431–440. DOI: 10.1111/j.1600-051x.1986.tb01486.x
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Lindhe J, Socransky SS, Nyman S, Haffajee AD, Westfelt E. Critical probing depths in periodontal therapy. Journal of Clinical Periodontology. 1982;9(4):323–336. DOI: 10.1111/j.1600-051x.1982.tb02099.x


